Após o Ministério Público Federal (MPF) instaurar um inquérito civil para apurar um suposto fechamento de acesso à praia de Moreré, em Boipeba, distrito do município de Cairu, no baixo-sul da Bahia, a defesa de Cleuma Suelly Carrilho Santos, apontada como responsável pela restrição, negou as acusações e afirmou que a trilha para pedestres segue aberta.
O inquérito foi aberto por meio da Portaria nº 4/2026, assinada pelo procurador da República Marcos André Carneiro Silva, do 17º Ofício do MPF na Bahia, e publicada no Diário Oficial do órgão na última quarta-feira (28). Segundo o MPF, a apuração busca esclarecer denúncias de impacto à mobilidade da comunidade local em razão do suposto bloqueio.
Em nota enviada ao Portal A TARDE, o advogado Georges Humbert, que representa Cleuma Suelly, afirmou que o MPF teria sido “induzido em erro” por três empresários da região. Segundo ele, um deles é réu confesso em processo criminal, enquanto os outros dois já responderam a ações por instalação de atividades irregulares, sem alvará, licença ambiental ou autorização da Superintendência do Patrimônio da União (SPU).
De acordo com a defesa, a propriedade de Cleuma permite o acesso legal de pedestres à praia, mas impede a circulação de veículos motorizados, o que estaria motivando as denúncias. “Esses empresários invadem a propriedade privada, cometem crimes ambientais e atentam contra a ordenação do solo ao utilizarem veículos motorizados em área protegida”, afirmou Humbert. O advogado classificou as acusações como “denunciação caluniosa” e disse acreditar no arquivamento do inquérito após o esclarecimento dos fatos.
Cleuma Suelly afirmou ser proprietária do terreno há 26 anos e declarou que a única trilha pedestre ainda existente na região passa por sua propriedade e permanece aberta, sendo utilizada por moradores, nativos e povos tradicionais. Segundo ela, a pressão recente ocorre por parte de empresários que desejam transformar a trilha em via para tráfego de veículos até pousadas instaladas posteriormente ao seu imóvel.
A proprietária também destacou que o terreno citado não faz divisa direta com a praia, estando a cerca de 300 metros do litoral, em área considerada ambientalmente sensível e inserida na Área de Proteção Ambiental (APA) Tinharé–Boipeba. Conforme o Plano de Manejo da unidade, a circulação não motorizada é priorizada em zonas frágeis, como as trilhas de Moreré.
Cleuma relatou ainda que tem sido alvo de invasões recorrentes, incluindo arrombamento de portões, quebra de cadeados, retirada de cercas e remoção de obstáculos instalados para impedir o tráfego de veículos. Segundo ela, essas ações colocam em risco a segurança de pedestres e a integridade ambiental da área.
Criada em 1992, a APA Tinharé–Boipeba é uma unidade de conservação de uso sustentável que abrange o arquipélago de Cairu. O Plano de Manejo estabelece regras rígidas para o uso do solo, prioriza a preservação dos ecossistemas costeiros e condiciona qualquer alteração em trilhas ou abertura de vias à obtenção de licenças ambientais e autorização dos órgãos competentes.
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